29/03/2004 08:07
Para contar esta história seria preciso saber como descrever o silêncio. Espaços em branco, reticências, parênteses vazios. Ou seria apenas o meu dedo esquecido sobre a tecla "o", um zero indefinido, um círculo abraçando o nada. Mas o silêncio não fala, somente diz. Que estou perdendo o meu tempo. Que estou enganando a mim mesmo. Que estou fugindo da realidade. Diz, sobretudo, que já não posso mais assim ficar, sem ouvir um sim ou um não, um fico ou vou, um eu também ou esquece. E no entanto tudo o que recebo em troca é a sua boca feito um "o". Ela pode se abrir, respirar, suspirar. E só. Ela não fala de sentimentos, e eu penso quanto tempo vai durar este monólogo. Mas agora o espetáculo acabou. Fechem as cortinas, por favor. É hora de ir embora. Sem aplausos. Sem flores. Em silêncio. Porque ele é tudo o que restou de quem um dia aprendeu a gemer em meus ouvidos.
André Takeda
enviada por Van
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